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Lordose Pra Leão: A Estética Magistral do Desajuste

A banda que continua "pior que a merda", e quato pior melhor!

Lordose Pra Leão: A Estética Magistral do Desajuste
Lordose Pra Leão: A Estética Magistral do Desajuste (Foto: Reprodução)

A Lordose Pra Leão não nasceu em um estúdio; ela surgiu como um estalo anárquico nos corredores da UFES (Comunicação, História e Direito) no início dos anos 90. Era um tempo de euforia universitária onde Adolfo Oleare e Alex Pandini buscavam melodia para suas poesias, encontrando no punk o veículo perfeito para esse caos. Se hoje falamos da Rua da Lama como berço do rock capixaba, é porque a Lordose — ao lado de Inconfidentes Banguelas, Tribal, Urublues e o saudoso Alexandre Lima — transformou aquele cenário em um campo de batalha cultural.

A banda não ocupava apenas o espaço; ela desafiava o status quo das rádios. Em 1992, fez história ao emplacar Jullyetzsch em primeiro lugar na extinta Rádio Capital, superando nomes nacionais como a Legião Urbana. Essa independência, nascida na "manjedoura" da UFES, permitiu que a Lordose criasse com liberdade absurda: de José, o Corno a Pedro Álvares, eles misturavam a crônica crua à contestação histórica. E, claro, a ousadia suprema: o convite a Zé Ramalho para Ananias e o Cavalo, uma gravação que, com o frescor do metal, sobreviveu décadas como um monumento à parceria improvável.

O respeito pela linhagem da canção brasileira sempre foi o combustível do grupo, manifestado nas constantes homenagens ao cachoeirense Sérgio Sampaio, seja com a versão de Filme de Terror ou ao batizar o álbum de 2001 com o título de sua obra setentista. Hoje, com 35 anos de estrada e o lançamento de Lordose canta Letaif – Novos meios de usurpar, a banda prova que o punk não envelhece — ele apenas se torna mais preciso. Ao unir a veia punk do Lordose à capacidade melódica de Sandro Letaif, eles nos lembram que a resistência não é apenas bater de frente; é, sobretudo, continuar existindo.

Discografia e Memória:

A trajetória do grupo é marcada por marcos como o icônico Os pássaros não calçam rua (1996), eleito um dos 40 discos fundamentais da música capixaba, passando pelo escatológico Live in Big Field (2003) — o verdadeiro espírito punk do "faça você mesmo" — até o recente mergulho no universo de Sandro Letaif (2024). A Lordose é a prova viva de que, no Espírito Santo, a música que realmente importa é aquela que, por ser "pior que a merda", acaba sendo a mais honesta de todas.

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