Espírito irreverente de Rita Lee reanima a Mocidade Independente

  • 17/02/2026
(Foto: Reprodução)
Rita Lee (1947 – 2023) é retratada em escultura de alegoria da Mocidade Independente de Padre Miguel no desfile do Carnaval 2026 Reprodução / TV Globo ♫ OPINIÃO ♬ Um dia após a Imperatriz Leopoldinense celebrar a obra libertária de Ney Matogrosso, em desfile com cacife para fazer a escola de samba disputar o título de campeã do Carnaval carioca de 2026, a Mocidade Independente de Padre Miguel entrou na avenida com enredo em homenagem a Rita Lee (1947 – 2023), outro ícone da música brasileira que desafiou padrões, morais e costumes. Abrindo o segundo dos três dias de desfile na noite de segunda-feira, 16 de fevereiro, a Mocidade deixou boa impressão ao apresentar o enredo “Rita Lee – A padroeira da liberdade”, bem desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, de volta desde 2024 à escola da qual saíra após o Carnaval de 2002. Não, a agremiação de Vila Vintém não fez um desfile para disputar título, mas é consenso que o espírito irreverente de Rita Lee reanimou a Mocidade Independente, escola que vinha amargando péssimas colocações e repercussões com os três desfiles anteriores. Com as presenças de Roberto de Carvalho (parceiro de Rita na vida e na música), Mel Lisboa (atriz que encarna a cantora em musical de teatro) e Lilia Cabral (atriz que também interpreta Rita em outro musical, este ainda inédito e previsto para chegar à cena em maio) em carros alegóricos, o desfile da Mocidade foi fiel à ideologia feliz do rockcarnaval de Rita Lee. Fantasias, alegorias e adereços retrataram o amor de Rita pelos animais – com referência explícita ao cão Orelha, morto por adolescentes em janeiro em ação monstruosa que chocou o Brasil – e a luta da artista contra a caretice, a censura e a repressão da ditadura militar que vigorou de 1964 a 1985. Nesse quesito, resultou especialmente espirituosa a alegoria que mostrou Rita presa, fumando cigarrinho alusivo à maconha consumida pela artista na época. O enredo também destacou a exposição do empoderamento feminino no cancioneiro de Rita Lee em letras em que as mulheres jamais sentiam culpa por dar e ter prazer na relação com os homens. O carro “Não provoque! É cor de rosa choque” tripudiou o machismo ao trazer um homem feito de marionete nas mãos de uma mulher. Entre bruxas, carros lisérgicos, discos voadores mulheres de pernas pro ar e alusões à Tropicália (feitas sem citação do grupo Mutantes, do qual a homenageada guardou mágoas até o fim da vida), a Mocidade Independente evoluiu com leveza, driblando o fato de que o samba de enredo da escola – cuja letra pareceu quase colagem com versos de sucessos da artista – estava aquém da boa ideia de celebrar a liberdade de Rita Lee. Enfim, a Mocidade Independente de Padre Miguel entrou e saiu feliz da avenida. A escola não está entre as favoritas ao título, uma vitória já está descartada, mas a Mocidade ainda tem alguma chance de garantir uma das seis vagas para voltar à Avenida Marquês de Sapucaí no sábado, 21 de fevereiro, no Desfile das Campeãs.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/02/17/espirito-irreverente-de-rita-lee-reanima-a-mocidade-independente.ghtml


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