Primeira gravação (com letra) da toada 'Tristezas do Jeca', obra-prima da sofrência sertaneja, completa 100 anos

  • 08/02/2026
(Foto: Reprodução)
Capa do single de 78 rotações por minuto de 1926 com a primeira gravação com letra de 'Tristezas do Jeca', toada do compositor Angelino de Oliveira (1888 – 1964) Reprodução ♫ MEMÓRIA ♬ A primeira gravação com letra de um dos maiores standards do cancioneiro sertanejo completa 100 anos em 2026. Foi em 1926 que o cantor e violonista carioca Patrício Teixeira (1893 – 1972) entrou no estúdio da gravadora Odeon, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para gravar a toada caipira “Tristezas do Jeca”, lançada naquele mesmo ano de 1926 pela companhia fonográfica em single de 78 rotações fabricado pela Casa Edison. A música não era inédita em 1926. Já tinha merecido há dois anos um registro fonográfico instrumental feito pela Orquestra Brasil América e editado pela mesma gravadora Odeon em single de 1924. Contudo, coube a Patrício Teixeira a primazia de gravar e lançar em disco os versos melancólicos da sofrida toada composta em 1918 pelo violonista e compositor Angelino de Oliveira (1888 – 1964). Paulista de Itaporanga (SP), Angelino de Oliveira apresentou “Tristezas do Jeca” naquele ano de 1918 em evento realizado por clube de Botucatu (SP), cidade para onde Angelino se mudara com a família aos seis anos de idade. A toada chegou a circular naquela região do interior paulista. No entanto, foi somente a partir da primeira gravação com letra, feita por Patrício Teixeira em 1926, que “Tristezas do Jeca” começou a se impor como uma das mais belas e tristes modas do universo sertanejo. Isso numa época em que nem havia ainda um mercado propriamente dito de música sertaneja. Esse mercado somente começaria a ser desbravado pelo escritor e folclorista paulista Cornélio Pires (1884 – 1958) a partir de 1929 com a gravação e comercialização de temas caipiras. A rigor, a repercussão de “Tristezas do Jeca” foi moderada com a gravação de Patrício Teixeira, talvez porque a interpretação do cantor não exprimiu a melancolia entranhada em versos como “Nestes versos tão singelos / Minha bela, meu amor / Pra você quero contar / O meu sofrer e a minha dor / Eu sou como o sabiá / Quando canta, é só tristeza / Desde o galho onde ele está / Nesta viola , canto e gemo de verdade / Cada toada representa uma saudade”. A sofrência do Jeca saltaria mais aos ouvidos no canto de Paraguassu (1894 – 1976) na primeira gravação realmente popular de “Tristezas do Jeca”, feita em 1937 por esse cantor e violonista paulista com Seu Grupo Verde e Amarelo. Ainda assim, “Tristezas do Jeca” teria que esperar mais dez anos para fazer todo o sentido no canto anasalado de Tonico & Tinoco em gravação feita em 1947 pela dupla paulista com acompanhamento do acordeonista Mário Zan (1920 – 2006) e do cantor, compositor e violeiro Miguel Lopes Rodrigues (1917 – 1974), o Piraci. Desde então, a toada “Tristezas do Jeca” nunca mais saiu da memória afetiva sertaneja do Brasil, figurando em qualquer antologia com as mais lindas canções do gênero pela fina sintonia entre letra e melodia. Com o tempo, a composição perdeu o ‘s’ do título. Foi muitas vezes creditada como “Tristeza do Jeca” que a toada foi alcançando sucessivas gerações em gravações como as de Inezita Barroso (1925 – 2015), Sérgio Reis, Luiz Gonzaga (1912 – 1989), Ney Matogrosso (no álbum “Pescador de pérolas”, de 1987), Almir Sater (no álbum “Rasta bonito”, de 1989), Pena Branca & Xavantinho, Zezé Di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó e Maria Bethânia, que terçou vozes com o irmão Caetano Veloso e com Zezé Di Camargo em expressiva gravação feita para a trilha sonora do filme “2 filhos de Francisco”. Intérprete sempre sagaz, Bethânia deu plenitude aos versos doídos que chegaram ao disco há longos 100 anos. O cantor Patrício Teixeira (1893 – 1972) foi o primeiro a gravar em disco, em 1926, a letra da toada 'Tristezas do Jeca' Reprodução / Arquivo Nirez

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/02/08/primeira-gravacao-com-letra-da-toada-tristezas-do-jeca-obra-prima-da-sofrencia-sertaneja-completa-100-anos.ghtml


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